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domingo, 26 de abril de 2009

Cena final

Abriste-me no peito uma ferida,
grande como um punho
e dessa ferida saíam rosas rubras.

Cavaste entre nós um vale de silêncio
e cortaste em pedaços todo o cânhamo da terra.

Aplanaste a torre com que subi ao teu céu,
e expulsaste-me para leste do paraíso.
Tudo o que tu dizias era estrangeiro,
e deste-me de presente a solidão.

Quando abri os olhos
e me ergui fitando o horizonte
onde o sol destacava a palavra "FIM",
percebi de repente:
Ao perder-te, perdi-me de mim.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Cristal

Lembro-me dos teus olhos
como facas de um cristal impuro
que se ergue no mar escuro
entre as brumas de uma tempestade

Lembro-me de te olhar
como se caísse num abismo
de vertigens loucas
de sangue quente e pele.

Lembro de ser mastro erguido
rasgando os céus cor de fogo
enquanto a minha quilha
vencia as salgadas ondas
da tua imensa maré.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Dois corpos nus

Sobre os lençóis,
mesa de jogo,
dois corpos sem trunfo lançados,
dois corpos nus, abraçados

Gestos de harmonia
plenos de sedução,
fragrâncias orientais:
canela e açafrão.

Dança, jogo, corpo
força, desejo, luta...
beber nos teus lábios a água,
morder no teu ventre a fruta.

domingo, 11 de maio de 2008

Valetes de Copas

Sou por ti apaixonado,
sem ti não sei viver,
estou pra sempre condenado
e é esse o meu fado
em lutar por ti, mulher.

Neste jogo viciante,
sem regras nem tabuleiro,
joga o mestre e o estudante,
o avô velho e o novo infante,
com apego verdadeiro.

Passeio no campo florido,
fascino-me com o seu odor,
e no meio de tanto colorido,
sinto o coração perdido,
em busca de ti amor.