A noite iluminada por loves em néon.
As paredes cobertas de cartazes
Com estrelas do roque que, sem som,
Cantam sobre o amor ser eterno,
E único, e outras palavras fugazes.
As pessoas a queixarem-se do inverno.
As estátuas sozinhas em praças,
De braços esticados aos pombos.
Os bêbados que passeiam aos tombos.
Os cães a cossar pulgas e carraças.
Os loucos a falar de outros mundos
Distribuindo profecias e ameaças;
E mais tarde, a dormirem vagabundos
Em pedaços sujos de cartão.
Ah! Como cansa tanto a solidão!
Como cansa ouvir repetir um chavão!
Como cansa tanto do que se vê,
e mais ainda viver sem saber porquê!
Às vezez o próprio cansaço me cansa.
E então procuro, no meio de tudo isto,
Essa bóia vaga de esperança
Que é descobrir-te nos olhos que existo.
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Praia
Esperavas-me sozinha.
Tu eras a praia
Eu o mar que vinha
Em espuma branca.
Com os mesmos dedos
Senti-te a areia
E os não segredos
Macios das dunas.
Tu eras a praia
Eu o mar que vinha
Em espuma branca.
Com os mesmos dedos
Senti-te a areia
E os não segredos
Macios das dunas.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Escrevo
Escrevo como se te segredasse ao ouvido;
de outra forma não teriam sentido
estas e outras palavras semelhantes
que invento a pensar em ti,
como não têm sentido outros amantes
que não nós dois, agora e aqui.
Sem o teu corpo, não há significado.
Nenhum verso pode ser declamado
que não pelos teus lábios de rosa
– não fosse do teu ventre o calor
e tudo seria para sempre prosa
e ninguém acreditaria no amor.
Os teus seios são explicação suficiente
dessa procura errada e demente
dos poetas no teu corpo de mulher:
a procura dessa esperança,
dessa vontade que tanto quer,
donde se esconde, como se alcança.
de outra forma não teriam sentido
estas e outras palavras semelhantes
que invento a pensar em ti,
como não têm sentido outros amantes
que não nós dois, agora e aqui.
Sem o teu corpo, não há significado.
Nenhum verso pode ser declamado
que não pelos teus lábios de rosa
– não fosse do teu ventre o calor
e tudo seria para sempre prosa
e ninguém acreditaria no amor.
Os teus seios são explicação suficiente
dessa procura errada e demente
dos poetas no teu corpo de mulher:
a procura dessa esperança,
dessa vontade que tanto quer,
donde se esconde, como se alcança.
domingo, 2 de novembro de 2008
O Segredo
Tinha as mais difíceis
lágrimas fáceis que, creio,
alguma vez existiram. Muitos
as queriam secar, mas tinham receio
de chorar, eles também.
Porque eram pesadas essas lágrimas,
e eram pesadas vezes cem
quando caíam sobre os dois corpos
ao mesmo tempo, nús
ao mesmo tempo, postos
lado a lado, tremendo de medo,
sem defesa, os dois expostos
às dificuldades do segredo
que cada lágrima sua falava:
por causa dele eles se iam,
e por eles se irem, ela chorava.
lágrimas fáceis que, creio,
alguma vez existiram. Muitos
as queriam secar, mas tinham receio
de chorar, eles também.
Porque eram pesadas essas lágrimas,
e eram pesadas vezes cem
quando caíam sobre os dois corpos
ao mesmo tempo, nús
ao mesmo tempo, postos
lado a lado, tremendo de medo,
sem defesa, os dois expostos
às dificuldades do segredo
que cada lágrima sua falava:
por causa dele eles se iam,
e por eles se irem, ela chorava.
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