terça-feira, 30 de setembro de 2008

Atame(1990)

Lá vai ele avançando como um louco
voando para a mulher que ama
lá esta ela, esperando um pouco
deitada, presa na cama.

Da-lhe droga para aliviar a dor
Apanha uma sova, lá vai o dente
Ai! que fogo é este amor
que ela sente.

Nesta noite do tentador
fica presa sem cordas
o amor ganha cor
num misturar de vermelho e rosas.

Mulher

Mortes, mar, ondas, tempestade,
Lava calma destrói-lo,
Excesso de histórias, víctimas da idade...

Lágrima e sangue derramado,
São da nossa vil essência,
Tal como Deus e o diabo!

Virgem serena de olhos cristal,
Véu branco,loiros cabelos penteados,
Folha deliciosamente corada
Cai latina em repouso agora,
Atrastando a próxima alvorada ...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

RENDIÇÕES

Atrás de escura nuvem se escondeu
Adivinhando a chuva que aí vinha
O sol envergonhado lá no céu
E foi-se embora o brilho que ele tinha


Fenómenos que são tão curiosos...
A minha mente quase nem entende...
Astro tão forte, raios luminosos,
Esconde-se envergonhado, até se rende...


Será por ver na chuva que o céu chora
Que a culpa é dos seus raios que hão lá posto
Nas nuvens, água que há evaporado?


Também te fiz chorar... fui sem demora
Secar-te duas lágrimas no rosto
Depois eu me rendi, envergonhado.



Joaquim Sustelo
(em OUTONO DA VIDA)

Dois corpos nus

Sobre os lençóis,
mesa de jogo,
dois corpos sem trunfo lançados,
dois corpos nus, abraçados

Gestos de harmonia
plenos de sedução,
fragrâncias orientais:
canela e açafrão.

Dança, jogo, corpo
força, desejo, luta...
beber nos teus lábios a água,
morder no teu ventre a fruta.

domingo, 21 de setembro de 2008

ALUCINAÇÃO

Ouvi teus passos no vento
Em movimento suspenso;
Ecos do meu pensamento
Nos trilhos onde me adenso.

Era o som de um movimento
Provindo do espaço imenso;
Era num tempo sem tempo
Prá minha alma um incenso.

E num êxtase profundo
Mergulhei num outro mundo,
Horizontes de lonjura...

Ante o frémito suave
Rodei pela porta a chave
E fui à tua procura.


JoaquimSustelo
(editado em RAIOS DE LUZ)

CONTRASTES

CONTRASTES



Da noite escura nasce a madrugada
Da madrugada nasce um claro dia
O sol surgindo, à terra enregelada
Traz o calor que tudo anima e cria

Do calor nasce a sombra desejada
E vem na sombra aragem e frescura
Frescura, ela há na fonte que encantada
Verte água fresca, cristalina e pura

O Mundo se completa no contraste...
O frio e o calor, o escuro, o claro,
O total desinteresse... a amizade...

E tu, no teu encanto, o que causaste?
- Nasceu-me amor por ti, um amor raro
Que cresce exactamente na saudade.


Joaquim Sustelo
(editado em OUTONO DA VIDA)

terça-feira, 17 de junho de 2008

vez vez vez

Eu não sou nada bruto
sou docíl como um cordeiro
branco, branquinho que nem um puto
e todo inofensivo.

O que eu quero
é deixar-te confusa
pensar em coisas loucas
e ouvir-te dizer que me amas

Apenas uma vez
para depois, perder a magia
de uma só vez
e quando sentires a falta de...
eu estarei aqui para ouvir
tudo outra vez.

domingo, 1 de junho de 2008

Servir, para depois...

(Ele Fala)
Perdido de amores minha rainha
só por ti
quero-te minha, só minha

(Ela fala)
Meu doce amante
o Rei, já espreita
e se ele sabe, mata-te

Amanhã vou para a corte
escoltada por outro qualquer
Ah!! que pouca sorte

Se ou menos fosses a segunda opcção
teria todo o gosto em viajar
aqui e ali ou até navegar.

Hoje é nosso último dia
Anoite haverá festa e o Rei
quererá a minha companhia

(Ele Fala)
Eu sei...
Sabe, eu sou a terçeira opcção
e amanhã terei a sua mão

(Ela fala)
Mas como, meu amante?
se o que fazes é servir
outros com poder mais forte



(Ele Fala)

Nesta noite de festa
irei servir o vinho
e pela manhã seremos os dois
de mão dada a caminho.

domingo, 11 de maio de 2008

Depressão

O vento ruge frio e neve
Por entres os ramos despidos adormecidos;
Uma dor profunda e breve,
À qual fugimos olhar porque a também sentimos.

De uma janela embaciada,
Olhar sem réstia de brasa esperançada,
Velho cansado, morreu na altura que arriscou,
Que ousou pensar que tinha ganho uma batalha que não existia?

Quem o salva?
Quem o salva se são apenas lã e tecido que o aquecem,
Enquanto o resto da floresta o esquecem?
Quem o salva quando a fogueira que é apenas combustão
Que ele a própria criou, já começa a minguar?

Forte é o homem que depois de extinguido
Continua em pé…
Corajoso, ou estúpido, é aquele que batalha desarmado
O abismo das maravilhas e do fim da Fé.
Herói é aquele que combate mas morre na glória do que protege.

Ouvi S’pectros negros da evolução
Que do primitivo e abominável nos tiraram
E ao ódio e à instável paixão nos entregaram!
- Por mais obscura e fria seja a verdade que acontecer,
A glória do humano que chora e é fraco
É o Morrer e Renascer!

Amor adolescente

Amor adolescente é fogo que arde
Mas só alguns queima,
Ilusão da verdade,
Rosa espinhada cravada no peito,
Interesse pervertido ou caridade?
Rio que não desagua e beijo imperfeito.

Perdiz inocente baleada,
Sorriso perdido e venenoso
Nada mais que apenas desejo,
Vindo da confusão e alvoroço.

Natureza parcial
Vítima e carrasco
Outono em Abril,
Sozinho por querer com alguém estar
Verbos amar e ser amado
Sendo como amendoeira em flor
Pelo vento beijado…

O Amor Adolescente
Quebra de outro horizonte
Vela com teima incandescente.

Não quero ver nem ser visto,
Apesar de marinheiro só em tempestades
Mais vale estar perdido em oceano virgem,
Do que nunca saborear
A corrente da idade.

Valetes de Copas

Sou por ti apaixonado,
sem ti não sei viver,
estou pra sempre condenado
e é esse o meu fado
em lutar por ti, mulher.

Neste jogo viciante,
sem regras nem tabuleiro,
joga o mestre e o estudante,
o avô velho e o novo infante,
com apego verdadeiro.

Passeio no campo florido,
fascino-me com o seu odor,
e no meio de tanto colorido,
sinto o coração perdido,
em busca de ti amor.